Aumento do limite do MEI (2027–2028): o que muda para você

O Microempreendedor Individual (MEI) é uma das portas de entrada mais importantes para quem quer formalizar uma atividade, emitir notas, vender com mais segurança e crescer com menos burocracia.

Mas, na prática, muita gente sentiu o mesmo “teto”: o limite de faturamento ficou em R$ 81 mil por ano por muito tempo — e isso passou a apertar, principalmente para quem cresceu com a internet, ampliou a carteira de clientes ou precisou reajustar preços com o aumento de custos.

Com a aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 186/2026, novas regras foram estabelecidas para o MEI. A proposta foi aprovada pelo Senado em 15 de outubro de 2026 e transformada na Lei Complementar nº 238, publicada em 21 de outubro de 2026. (Fonte: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/10/21/nova-lei-amplia-limite-de-faturamento-do-mei-e-preve-perdao-de-dividas?utm_source=openai)

Entre os principais pontos, estão: aumento gradual do limite de faturamento, possibilidade de contratar até dois empregados, remissão de determinados débitos com a União e medidas para facilitar a participação do MEI em contratações públicas.

A seguir, explicamos o que muda e, principalmente, o que vale a pena você observar desde já para tomar decisões com mais clareza e segurança.

Qual será o novo limite de faturamento do MEI?

O limite de receita bruta anual do MEI será ampliado de forma gradual:

  • Em 2026: permanece em R$ 81 mil;
  • Em 2027: passa para R$ 110 mil;
  • A partir de 2028: chega a R$ 140 mil.

Na prática, isso pode dar um fôlego maior para quem está em fase de crescimento — ajudando a evitar uma mudança de enquadramento “no susto”, desde que os demais requisitos do MEI continuem sendo atendidos.

E se eu abrir o MEI no meio do ano?

Para quem iniciar a atividade durante o ano, o limite é calculado de forma proporcional ao período de funcionamento.

Em 2027, o valor mensal de referência será de R$ 9.166,67. Em 2028, será de R$ 11.666,67 por mês. (Fonte: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/10/15/projeto-que-amplia-limite-do-mei-e-perdoa-dividas-chega-ao-senado?utm_source=openai)

Mesmo com o limite maior, um ponto continua sendo essencial: acompanhar o faturamento mês a mês. O MEI que cresce precisa de controle — e controle não é burocracia: é gestão e tranquilidade.

Quando as novas regras começam a valer?

A Lei Complementar nº 238/2026 entrou em vigor na data da publicação, mas os efeitos foram divididos conforme o tema:

Por isso, vale um cuidado: não antecipe decisões apenas com base na “notícia da aprovação”. O que determina o enquadramento é a regra vigente no período analisado, o faturamento acumulado e o cumprimento das demais condições do regime.

Perdão de dívidas do MEI (remissão): como funciona?

A legislação prevê a remissão integral de determinados créditos da União de responsabilidade dos MEIs, inscritos ou não em dívida ativa, constituídos até 13 de outubro de 2026.

A medida inclui débitos relacionados às contribuições do MEI e encargos associados, conforme condições previstas na lei. (Fonte: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/10/15/projeto-que-amplia-limite-do-mei-e-perdoa-dividas-chega-ao-senado?utm_source=openai)

Atenção: remissão não deve ser tratada como “perdão automático”

O benefício não deve ser interpretado como cancelamento automático e incondicional. Para obter e manter a remissão, o MEI deverá cumprir exigências específicas, como:

  • Apresentar requerimento, conforme os procedimentos definidos;
  • Manter em dia as contribuições com vencimento nos seis meses seguintes à entrada em vigor da lei;
  • Comprovar desistência de ações judiciais relacionadas aos débitos, quando aplicável;
  • Renunciar aos pedidos formulados nesses processos.

Se as condições não forem cumpridas, pode haver cancelamento da remissão.

Na prática, o melhor caminho é: antes de contar com esse alívio, mapear exatamente quais débitos existem, quais podem ser abrangidos e quais passos serão exigidos quando os procedimentos forem regulamentados.

MEI poderá contratar até dois empregados

Outra mudança relevante é a ampliação do número de empregados que o MEI poderá contratar.

Antes, a regra era de apenas um empregado. Com a nova legislação, o MEI poderá contratar até dois empregados nas atividades de industrialização, comercialização e prestação de serviços no âmbito rural, observadas as condições previstas em lei.

Os empregados deverão receber, no mínimo:

  • Um salário mínimo; ou
  • O piso salarial da categoria, quando aplicável.

A lei também prevê a possibilidade de contratar substitutos quando um ou mais empregados estiverem legalmente afastados, respeitando a quantidade de trabalhadores afastados e limitada ao período do afastamento. (Fonte: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/10/21/nova-lei-amplia-limite-de-faturamento-do-mei-e-preve-perdao-de-dividas?utm_source=openai)

O que isso muda na prática?

Contratar pode ser um passo importante para crescer — mas também exige estrutura e disciplina: registro correto, folha, encargos, prazos e rotinas trabalhistas.

Se você está pensando em contratar em 2027/2028, vale se planejar com antecedência para não transformar um avanço operacional em risco trabalhista.

Participação do MEI em contratações públicas

A legislação também atualiza regras para ampliar oportunidades de pequenos negócios em contratações públicas, com medidas para facilitar o acesso a esse mercado. (Fonte: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/10/21/nova-lei-amplia-limite-de-faturamento-do-mei-e-preve-perdao-de-dividas?utm_source=openai)

Para o MEI, pode ser uma excelente forma de diversificar fontes de receita — mas é um campo que pede atenção redobrada, principalmente a:

  • Documentos e prazos;
  • Capacidade de entrega;
  • Formação de preços e fluxo de caixa;
  • Exigências do edital e regras do órgão contratante.

Antes de assumir um contrato público, vale avaliar com calma se o negócio tem fôlego financeiro e operacional para cumprir o que foi contratado.

Exemplo prático: quando o aumento do limite faz diferença

Imagine uma profissional que presta serviços de desenvolvimento de sites e fatura cerca de R$ 7 mil por mês. Ao longo do ano, isso pode chegar próximo de R$ 84 mil, ultrapassando o limite atual de R$ 81 mil.

Com a mudança prevista para 2027, o teto anual de R$ 110 mil pode permitir que ela permaneça no MEI — desde que também cumpra os demais requisitos do regime.

Se ela continuar crescendo e alcançar algo próximo de R$ 140 mil em 2028, será o momento de verificar as regras vigentes, analisar o faturamento acumulado e avaliar, com estratégia, se ainda faz sentido manter o MEI ou migrar para outro enquadramento.

O aumento do limite abre espaço para crescer com mais tranquilidade — mas não elimina a necessidade de planejamento, organização e acompanhamento.

Pontos de atenção (para você não ser pego de surpresa)

  • O limite de R$ 110 mil vale em 2027; o teto de R$ 140 mil vale a partir de 2028.
  • Acompanhe o faturamento com regularidade para evitar desenquadramento inesperado.
  • A remissão (perdão) de dívidas depende de condições legais e procedimentos específicos — não trate como automática.
  • Mesmo com a remissão, as contribuições futuras precisam estar em dia para manter a regularidade.
  • Contratar empregados exige cumprir obrigações trabalhistas, previdenciárias e acessórias.
  • Participar de contratações públicas pode ser oportunidade — mas exige preparo, precificação correta e capacidade de execução.
  • O limite de faturamento não é o único requisito do MEI: atividade permitida e outras condições legais também precisam ser verificadas.
  • Situações com débitos, processos ou crescimento acelerado pedem análise individual.

Conclusão

As novas regras são um avanço relevante para quem está no MEI e busca crescer com menos barreiras. O aumento do limite de faturamento pode aliviar a pressão de pequenos negócios que evoluíram além do teto atual. A possibilidade de contratar até dois empregados também pode apoiar a expansão da operação.

Ao mesmo tempo, as mudanças reforçam um ponto que nós vemos todos os dias na prática: crescer com segurança exige planejamento, e não só “acompanhar o novo limite”.

Se você quer usar essas mudanças a seu favor, o melhor caminho é organizar faturamento, entender o impacto no seu negócio, e tomar decisões com base em números — de forma clara, responsável e estratégica.

quer avaliar seu caso com segurança?

As novas regras do MEI podem abrir oportunidades, mas também exigem atenção ao faturamento, às obrigações e ao planejamento do negócio. Se você quer entender como essas mudanças podem impactar sua empresa, converse com a equipe da Contabilidade VSC e avalie o melhor caminho para crescer com segurança.

Conteúdo educativo. Não substitui análise contábil, fiscal, tributária ou jurídica individualizada. Regulamentações e procedimentos operacionais podem ser detalhados pelos órgãos competentes ao longo da implementação das regras.

Fim da escala 6×1: como empresas devem planejar a transição

A aprovação do fim da escala 6×1 marca uma mudança importante na forma como o trabalho pode ser organizado no Brasil — especialmente em operações que dependem de funcionamento contínuo, fins de semana, turnos e plantões.

Na prática, não é apenas uma “troca de calendário”: a nova regra pode impactar dimensionamento de equipe, custos de folha, controle de jornada, acordos coletivos e nível de serviço. Para o empreendedor e para quem cuida do RH/DP, o ponto central é um só: antecipar cenários e planejar a transição com segurança.

Segundo a notícia publicada pelo Senado Federal, a PEC 221/2019 foi aprovada em dois turnos em 14 de outubro de 2026 e a emenda foi promulgada em 16 de outubro de 2026, estabelecendo dois dias de descanso semanal remunerado e a redução gradual da jornada máxima semanal.
Fonte: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/10/14/senado-aprova-fim-da-6×1-em-primeiro-turno

Nota de cautela: antes da publicação definitiva deste conteúdo no seu site, valide a publicação oficial da emenda e a data exata de início da contagem dos prazos, pois isso define quando as etapas passam a produzir efeitos.

O que muda com o fim da escala 6×1

A principal alteração é a substituição do modelo de seis dias de trabalho para um dia de folga por uma organização que garanta dois dias de repouso semanal remunerado.

Um desses dias deverá ser preferencialmente aos domingos e, de acordo com o texto divulgado, a remuneração não deverá ser reduzida em razão da diminuição da jornada ou do aumento do descanso semanal.
Fonte: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/10/14/senado-aprova-fim-da-6×1-em-primeiro-turno

Na prática, a escala 5×2 tende a se consolidar como referência (cinco dias trabalhados e dois dias de descanso). Ainda assim, acordos e convenções coletivas podem definir formatos diferentes — desde que respeitem os limites previstos.

Conforme informações da Câmara dos Deputados, as duas folgas não precisam ser necessariamente consecutivas, desde que seja garantida uma média de dois dias de descanso por semana no mês e não haja semana inteira sem folga.
Fonte: https://especial.camara.leg.br/reducao-da-jornada-detrabalho-e-fim-da-escala-6×1

Como será a redução da jornada semanal

A jornada máxima semanal, hoje limitada a 44 horas (regra geral), será reduzida gradualmente até 40 horas semanais, em duas etapas:

  • Dois meses após a publicação da emenda: redução para 42 horas semanais;
  • Um ano e dois meses após a publicação da emenda: redução para 40 horas semanais.

A jornada diária segue limitada a oito horas, com possibilidade de compensação de horários e redução da jornada por meio de acordo ou convenção coletiva, conforme as condições previstas na legislação e nos instrumentos coletivos aplicáveis.
Fonte: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/10/14/senado-aprova-fim-da-6×1-em-primeiro-turno

O ponto de atenção aqui é simples: nem toda empresa precisará (ou conseguirá) migrar para um único “modelo padrão” de escala de um dia para o outro. A transição existe para permitir ajustes operacionais — e é justamente nela que as decisões precisam ser bem conduzidas.

Impactos para as empresas (e por que vale olhar além da escala)

Para empresas com atendimento ao público, operações aos finais de semana, turnos, plantões ou cobertura estendida, o impacto tende a aparecer em cadeia: escala → jornada → horas extras → custos → produtividade → qualidade do serviço.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • revisão das escalas de trabalho e das rotinas de revezamento;
  • necessidade de contratação, redistribuição ou polivalência de funções;
  • reorganização de turnos e horários de pico;
  • atualização de contratos, políticas internas e comunicações ao time;
  • avaliação do impacto em horas extras, adicionais e banco de horas (quando aplicável);
  • adequação dos sistemas de controle de jornada e registros;
  • revisão de acordos e convenções coletivas;
  • análise dos reflexos sobre folha de pagamento e benefícios;
  • planejamento para preservar produtividade e nível de serviço ao cliente.

Em empresas de tecnologia, por exemplo, pode ser necessário revisar plantões, suporte, monitoramento e rotinas de incidentes. Em comércio, serviços e atendimento, a mudança costuma exigir uma engenharia mais fina de cobertura de equipe, principalmente em fins de semana e feriados.

A importância do planejamento durante a transição

A implementação gradual ajuda — mas não elimina o risco de decisões apressadas quando o prazo estiver próximo. Quanto antes a empresa transformar a regra em um plano de ação, mais controle terá sobre custo e operação.

Um caminho prático é começar com um diagnóstico objetivo do cenário atual:

  1. quais áreas usam (ou se aproximam) do modelo 6×1;
  2. quais atividades exigem operação aos domingos, feriados e em horários estendidos;
  3. quais colaboradores estão em turnos, plantões ou horários diferenciados;
  4. quais instrumentos coletivos regem a categoria e a atividade econômica;
  5. qual o impacto estimado da redução de horas na folha e na cobertura;
  6. onde haverá gargalo de atendimento/produção;
  7. quais ajustes podem ser feitos com redistribuição, automação ou redesenho de processos.

Também é essencial separar o que já está definido do que pode depender de regulamentação posterior. De acordo com o relator, categorias com jornadas específicas poderão exigir regulamentação pelo Congresso.
Fonte: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/10/14/senado-aprova-fim-da-6×1-em-primeiro-turno

O que não muda automaticamente

O fim da escala 6×1 não significa que todas as empresas terão que adotar o mesmo horário, nem que todos os trabalhadores terão folgas fixas em sábado e domingo.

A emenda estabelece direitos mínimos de descanso e limites de jornada. A organização prática tende a variar conforme:

  • atividade econômica e dinâmica operacional;
  • necessidade de turnos e cobertura;
  • normas coletivas e particularidades da categoria;
  • sazonalidade, picos de demanda e capacidade de equipe.

E um cuidado importante: acordos internos não devem ser analisados isoladamente. É necessário verificar compatibilidade com a legislação trabalhista e com as convenções/acordos coletivos aplicáveis.

Exemplo prático (para visualizar o impacto)

Imagine uma empresa de suporte técnico que funciona todos os dias e hoje organiza profissionais em uma escala 6×1.

Com a transição para dois dias de descanso semanal e a redução gradual da jornada, pode ser necessário:

  • formar equipes de revezamento;
  • reforçar determinados horários (picos de chamados);
  • reorganizar plantões de fim de semana;
  • redistribuir atendimentos por nível de complexidade;
  • revisar intervalos e horários de entrada e saída;
  • automatizar parte dos chamados repetitivos (triagem e respostas de primeiro nível).

Se a empresa tentar manter o mesmo volume de atendimento sem ajustar a escala, o efeito costuma aparecer em sobrecarga, aumento de horas extras, queda de qualidade e maior risco de não conformidade.

Com planejamento antecipado, o cenário muda: dá para fazer ajustes graduais, medir resultados e corrigir rota sem sustos.

Pontos de atenção (resumo)

  • A emenda foi aprovada pelo Senado em 14/10/2026 e promulgada em 16/10/2026 (conforme notícia do Senado).
    Fonte: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/10/14/senado-aprova-fim-da-6×1-em-primeiro-turno
  • A jornada máxima semanal será reduzida gradualmente de 44 para 40 horas.
  • Devem ser garantidos dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um preferencialmente aos domingos.
  • A remuneração não deverá ser reduzida em razão da diminuição de jornada/aumento do descanso (conforme texto divulgado).
  • A escala 5×2 tende a ser referência, com possibilidade de formatos diferentes conforme instrumentos coletivos.
  • Operações contínuas precisarão revisar turnos, plantões e cobertura.
  • Categorias com jornadas específicas podem depender de regulamentação posterior.
  • A empresa deve acompanhar publicações oficiais e normas complementares do seu setor.
  • A análise de impacto na folha deve considerar salários, encargos, horas extras, benefícios e eventual necessidade de contratação.

Conclusão

O fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada abrem uma nova etapa nas relações de trabalho no Brasil. Para trabalhadores, a mudança amplia o descanso e pode contribuir para uma rotina mais equilibrada. Para empresas, o desafio é transformar a regra em uma operação sustentável, organizada e em conformidade.

O melhor caminho costuma ser o mais responsável: planejamento, leitura cuidadosa das normas, atenção aos instrumentos coletivos e decisões baseadas na realidade do seu negócio.

Sua empresa precisa se preparar para as mudanças na jornada de trabalho? A VSC pode apoiar na análise dos impactos em folha de pagamento, na revisão de escalas e na organização de um plano de adequação alinhado à rotina do seu negócio — com clareza, responsabilidade e visão prática. Fale com a nossa equipe para avaliarmos o seu cenário.

Aviso importante

Este conteúdo é educativo e não substitui uma análise trabalhista, contábil ou jurídica individualizada. Para aplicar as mudanças com segurança, é recomendável avaliar o caso concreto, os instrumentos coletivos e eventuais regulamentações específicas da categoria.

CBS sobre aluguel em 2027: como proprietários devem se preparar

A reforma tributária do consumo está redesenhando a forma como diversas atividades serão tributadas no Brasil. E, embora muita gente associe o tema apenas à substituição de tributos como PIS/Cofins/ISS/ICMS, há um ponto que merece atenção especial de quem tem patrimônio imobiliário: a possível incidência da CBS (e, na transição, também do IBS) sobre receitas de locação, cessão onerosa e arrendamento de imóveis.

Na prática, isso significa que proprietários que hoje enxergam o aluguel apenas como uma renda sujeita ao Imposto de Renda podem, a partir de 2027, precisar lidar com uma nova camada de apuração, enquadramento e compliance — com impactos financeiros e contratuais.

E aqui vai o ponto mais importante: 2026 tende a ser o ano decisivo para se preparar, com calma e método, antes de decisões apressadas.

O que muda com a CBS sobre aluguel de imóveis

Historicamente, a renda de aluguel é tratada principalmente sob a ótica do Imposto de Renda. Com a reforma, a legislação passa a considerar determinadas operações imobiliárias dentro do campo de incidência do novo modelo de tributação sobre consumo (CBS/IBS), conforme regras específicas.

Na prática, o mercado deve conviver com um período de transição e com ajustes de interpretação, regulamentação e operacionalização. Por isso, mais do que “decorar percentuais”, o que realmente protege o proprietário é entender:

  • se haverá enquadramento como contribuinte no novo sistema;
  • como fica o contrato (repasse, reajuste, tributos, responsabilidades);
  • qual é o impacto na rentabilidade líquida do imóvel;
  • se a estrutura patrimonial atual continua fazendo sentido.

Nem todo proprietário será contribuinte da CBS

Um erro comum é imaginar que “todo aluguel vai pagar CBS”. A tendência é que existam critérios para diferenciar a pessoa física que recebe aluguel como complemento de renda daquela que explora imóveis com habitualidade e relevância econômica.

Em geral, a análise passa por fatores como:

  • volume de receita de locação/cessão/arrendamento;
  • quantidade de imóveis explorados economicamente;
  • habitualidade e estrutura de administração do patrimônio.

Ou seja: o enquadramento não deve ser presumido. Ele precisa ser verificado caso a caso, com base nas regras vigentes, no ano-calendário aplicável e nos documentos que sustentam a operação.

Por que isso pode pesar no bolso: impacto na rentabilidade dos aluguéis

O risco para muitos proprietários não está apenas em “surgir um tributo novo”, mas em como ele se soma ao cenário já existente. Dependendo do enquadramento e das regras aplicáveis, pode haver:

  • manutenção da tributação pelo Imposto de Renda sobre rendimentos;
  • incidência de CBS (e, no desenho completo, IBS) sobre a operação.

A legislação prevê redutores para operações imobiliárias em determinadas condições, mas o efeito real depende de pontos que ainda exigem atenção, como alíquota-padrão, regulamentações e as características da operação.

Por isso, simulações com alíquotas estimadas devem ser tratadas como simulação, não como certeza. O caminho seguro é construir cenários com premissas claras e revisar sempre que houver atualização normativa.

O mercado também pode reagir: repasse, crédito e negociação

Mudanças tributárias raramente ficam “presas no papel”. Elas afetam preço, negociação e comportamento de locadores e locatários.

Alguns efeitos possíveis:

  • locações comerciais podem ter mais espaço para negociação quando o locatário for empresa e puder aproveitar créditos (conforme regras aplicáveis);
  • locações residenciais tendem a ser mais sensíveis, porque o impacto costuma ser direto no orçamento da família;
  • imóveis com contratos antigos, margem apertada ou baixa demanda local podem sofrer mais pressão.

Aqui, mais do que prever o mercado, a postura mais estratégica é revisar contratos e entender o que está (e o que não está) protegido nas cláusulas atuais.

Holding patrimonial: pode ajudar, mas não é solução automática

É natural que o assunto “holding patrimonial” volte à mesa quando o ambiente tributário muda. Uma holding pode, sim, fazer sentido em alguns cenários, especialmente quando existem objetivos como:

  • organização e governança do patrimônio;
  • planejamento sucessório;
  • centralização de gestão e regras entre familiares;
  • avaliação de eficiência tributária dentro da legalidade.

Mas é importante ser direto: holding não é resposta pronta.

Antes de qualquer decisão, vale colocar na conta:

  • custos de abertura e manutenção (contabilidade, obrigações acessórias, rotina societária);
  • impactos registrais e patrimoniais;
  • efeitos tributários na transferência dos imóveis;
  • objetivos reais da família (renda, sucessão, venda, expansão, proteção patrimonial);
  • riscos de escolher uma estrutura “pela moda” e não pela estratégia.

A melhor estrutura é a que combina segurança, clareza e sustentabilidade para o seu caso — e não a que parece “mais sofisticada” no papel.

Dois exemplos (bem comuns) para ajudar a enxergar o cenário

Exemplo 1 — patrimônio enxuto e renda complementar
Uma pessoa física com 1 ou 2 imóveis alugados, com renda moderada, pode estar em situação bem diferente de quem explora imóveis de forma recorrente e estruturada. Em muitos casos, o primeiro passo é confirmar enquadramento e mapear contrato/recebimentos com organização.

Exemplo 2 — família com vários imóveis e receita relevante
Uma família com diversos imóveis (residenciais e comerciais), com administração contínua e receita relevante, tende a exigir um olhar mais aprofundado: critérios de enquadramento, modelagem de fluxo, revisão de cláusulas contratuais e avaliação de estrutura patrimonial — inclusive com comparação entre manter em pessoa física ou reorganizar de forma planejada.

Como se preparar em 2026 (sem alarmismo, mas com responsabilidade)

Se 2027 marca o início dos efeitos práticos da CBS, 2026 é a janela para organizar e decidir com serenidade. Um roteiro objetivo de preparação costuma incluir:

  1. Mapear o patrimônio e os contratos
    • quantos imóveis geram receita;
    • quais contratos estão vigentes, prazos, reajustes e garantias;
    • quem paga o quê (IPTU, taxas, tributos, despesas).
  2. Organizar números e documentos
    • receitas por imóvel e por contrato;
    • comprovantes e histórico de recebimentos;
    • despesas vinculadas ao imóvel e à administração.
  3. Avaliar enquadramento e risco operacional
    • conferir critérios legais aplicáveis ao seu perfil;
    • entender obrigações acessórias e controles necessários, se houver incidência.
  4. Simular cenários com premissas transparentes
    • não tratar alíquota estimada como definitiva;
    • comparar “cenário atual vs. cenário de transição”, com e sem redutores.
  5. Revisar contratos com foco em previsibilidade
    • cláusulas de tributos, repasse, reequilíbrio e reajustes;
    • diferenças entre residencial e comercial;
    • cuidado para não criar conflito contratual desnecessário.
  6. Discutir estrutura patrimonial (se fizer sentido)
    • holding patrimonial pode ser opção, mas exige estudo contábil, tributário, societário e sucessório;
    • reorganização bem feita é a que reduz risco e melhora governança — não a que promete “milagre”.

Conclusão

A possível incidência de CBS (e, no desenho completo, IBS) sobre operações de locação de imóveis é um tema que pode passar despercebido — até o momento em que começa a afetar contrato, preço e rentabilidade.

O impacto não será igual para todos. E é exatamente por isso que a preparação precisa ser individualizada, documentada e estratégica.

Para quem construiu patrimônio com trabalho e disciplina, a melhor decisão costuma ser a mais simples — mas sustentada por análise: entender regras, organizar informações, simular cenários e escolher o caminho com segurança.

Se você recebe renda de aluguel, administra imóveis em família ou utiliza imóveis como parte relevante da sua estratégia patrimonial, a VSC pode ajudar você a avaliar cenários, organizar informações e apoiar decisões com clareza, responsabilidade e visão de futuro.

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui uma análise técnica personalizada. Regras, interpretações e regulamentações podem evoluir, e cada caso exige avaliação própria.

RAD: recolhimento pelo adquirente e preparação das empresas

A reforma tributária do consumo tende a mudar, de forma prática, a rotina de apuração, recolhimento e aproveitamento de créditos nas empresas. Com IBS e CBS em um modelo de não cumulatividade mais amplo, o crédito tributário passa a impactar diretamente o caixa, a precificação e a segurança das operações.

O ponto é que, na nova lógica, o crédito não será apenas “uma informação na nota”. Em muitas situações, a apropriação do crédito depende de condições e validações, incluindo a confirmação de que o tributo relacionado à etapa anterior foi efetivamente recolhido.

É nesse cenário que ganha relevância o RAD — Recolhimento pelo Adquirente (também referido como recolhimento antecipado pelo adquirente): um mecanismo em que o comprador recolhe IBS e CBS diretamente ao Fisco, vinculando o recolhimento àquela operação específica.

O que é o RAD na reforma tributária?

O RAD (Recolhimento pelo Adquirente) é uma modalidade em que o adquirente — isto é, quem compra a mercadoria ou contrata o serviço — realiza o recolhimento do IBS e da CBS diretamente aos órgãos responsáveis, conforme os procedimentos disponibilizados nos ambientes oficiais (como a apuração assistida).

Na prática, a intenção do RAD é trazer mais previsibilidade e segurança para o crédito, reduzindo a dependência exclusiva do recolhimento feito pelo fornecedor.

Em termos simples: o recolhimento e o crédito “andam mais próximos” da mesma operação, o que pode facilitar o controle e reduzir incertezas — desde que os dados e o processo estejam corretos.

Por que o crédito tributário vai pesar mais nas decisões do dia a dia?

Empresas digitais, prestadores de serviço, negócios de tecnologia e PMEs que compram de múltiplos fornecedores já sabem: quando crédito entra (ou não entra), o efeito aparece no financeiro.

Com IBS e CBS, o crédito pode influenciar diretamente:

  • o valor efetivamente suportado de tributos na cadeia;
  • o fluxo de caixa (e o planejamento de pagamento);
  • a formação de preços;
  • margem e rentabilidade;
  • negociação com fornecedores e condições de pagamento;
  • qualidade de cadastros, documentos fiscais e conciliações.

O cuidado aqui é estratégico: crédito não é só fiscal — é gestão. E, numa transição como a da reforma, quem organiza processos antes tende a sofrer menos depois.

RAD x split payment: qual é a diferença?

É comum tratar RAD e split payment como “concorrentes”, mas, na prática, eles são mecanismos diferentes dentro da lógica de recolhimento e validação do tributo.

  • Split payment: o recolhimento do tributo é segregado automaticamente no momento da liquidação financeira, com participação do arranjo de pagamento e integração de informações da transação e do documento fiscal.
  • RAD: o próprio adquirente toma a iniciativa de recolher o tributo vinculado à operação, seguindo o procedimento definido nos sistemas oficiais.
Característica Split payment RAD (recolhimento pelo adquirente)
Quem dá a partida Sistema/arranjo de pagamento Adquirente (comprador)
Quando acontece Na liquidação financeira Conforme procedimento da apuração assistida
Forma de execução Separação automática do tributo Pagamento direto pelo comprador
Foco principal Vincular recolhimento à transação Aumentar segurança do crédito pelo recolhimento vinculado

O ponto-chave: cada modelo exige controles diferentes e pode fazer sentido em situações distintas. A avaliação costuma depender do tipo de operação, do perfil de fornecedores e do nível de maturidade dos processos fiscal-financeiros.

Como o RAD tende a funcionar na prática?

Embora a operação dependa de regulamentação e da implementação dos sistemas, um fluxo típico do RAD tende a seguir esta lógica:

  1. O fornecedor emite o documento fiscal da operação.
  2. As informações ficam disponíveis para consulta no ambiente oficial (como a apuração assistida).
  3. O adquirente confere dados e valores de IBS/CBS vinculados à operação.
  4. Ao optar pelo RAD, o comprador recolhe IBS/CBS diretamente ao Fisco, com vinculação àquela operação.
  5. O pagamento ao fornecedor é feito pelo valor líquido (considerando o recolhimento realizado).
  6. O crédito do adquirente fica associado ao recolhimento efetuado.

Aqui existe um cuidado técnico importante: o recolhimento no RAD é vinculado à operação, e não deve ser tratado como “saldo genérico” para compensar qualquer débito. Por isso, conferência antes de pagar deixa de ser recomendação e vira regra de boa governança.

O RAD é obrigatório?

A tendência, pelo desenho geral apresentado, é que o RAD funcione como uma alternativa dentro das modalidades de recolhimento, e não necessariamente como regra única.

Na prática, a aplicação pode depender de:

  • regulamentações complementares;
  • padronizações de documentos fiscais;
  • integrações tecnológicas;
  • atos conjuntos e orientações operacionais do IBS e da CBS;
  • regras específicas para determinados regimes e perfis de contribuinte.

Por isso, não é prudente presumir que todas as empresas e todas as operações poderão usar RAD do mesmo jeito. Em reforma tributária, detalhes operacionais importam — e variam conforme a atividade e o desenho contratual.

Exemplo prático (para visualizar o impacto)

Imagine uma empresa de tecnologia que contrata um fornecedor para prestar um serviço recorrente.

  • A nota fiscal é emitida com os destaques de IBS e CBS.
  • Antes de pagar, a empresa compradora consulta as informações disponíveis nos ambientes oficiais.
  • Optando pelo RAD, ela recolhe IBS/CBS diretamente ao Fisco, vinculando o recolhimento àquela operação.
  • O fornecedor recebe o valor líquido, conforme combinado.

O ganho aqui está na lógica de controle: o comprador passa a reduzir o risco de depender do recolhimento posterior do fornecedor para dar segurança ao crédito. Mas isso só funciona bem quando há alinhamento contratual e operacional.

Se houver divergência de valores, notas com erro ou inconsistência de cadastro, o melhor caminho é tratar a divergência antes do pagamento — porque corrigir depois tende a custar mais tempo, mais conciliação e mais exposição a inconsistências.

Por que revisar contratos e rotinas financeiras vira prioridade?

RAD não é só “uma opção fiscal”. Ele mexe em:

  • cláusulas de preço e forma de pagamento;
  • retenções e responsabilidades;
  • conciliações entre fiscal e financeiro;
  • contas a pagar (valor bruto x valor líquido);
  • prazos e comprovações;
  • governança de documentação e auditoria.

Se o comprador recolhe e o fornecedor também recolhe (ou cobra como se ainda estivesse pendente), o risco é claro: pagamento em duplicidade, conflito comercial e necessidade de ajuste.

Para reduzir esse tipo de problema, contratos e políticas internas costumam precisar definir, quando aplicável:

  • se o RAD poderá ser utilizado naquela relação comercial;
  • quem será responsável por executar o recolhimento (e em que momento);
  • como se calcula o valor líquido a pagar;
  • como as partes tratam divergências na nota fiscal;
  • como serão feitas comunicações e ajustes;
  • quais documentos devem ser armazenados para auditoria e comprovação.

E tão importante quanto a cláusula é o processo: não adianta prever RAD no contrato se o contas a pagar continuar programado para pagar o valor bruto automaticamente.

Pontos de atenção (o que olhar com calma)

  • RAD, split payment e apuração assistida dependem de regulamentação e operacionalização dos sistemas oficiais.
  • O recolhimento pelo adquirente precisa estar vinculado à operação correta.
  • Conferência de documento fiscal e validação de dados antes do pagamento se torna parte do controle de risco.
  • Comprador e fornecedor precisam alinhar previamente como o RAD será usado, para evitar duplicidades.
  • Sistemas contábeis, fiscais e financeiros devem estar preparados para controlar cenários diferentes (recolhimento pelo fornecedor, pelo adquirente e/ou por split payment).
  • Contratos antigos podem precisar ser atualizados para refletir as novas formas de recolhimento.
  • A gestão de crédito exige organização documental e conciliação — e isso precisa ser desenhado antes da virada de chave.

Conclusão

O RAD reforma tributária pode se tornar uma ferramenta relevante para empresas que querem mais segurança e previsibilidade na apropriação de créditos de IBS e CBS. Ao permitir que o adquirente recolha diretamente o tributo da operação, o RAD cria uma alternativa (ou um complemento) ao recolhimento feito pelo fornecedor e ao split payment — mas exige atenção a contratos, processos e validações.

O melhor momento para se preparar é antes da operação virar obrigação diária: mapear fornecedores, revisar contratos, ajustar rotinas do financeiro e alinhar fiscal e contabilidade com uma visão única — técnica, mas principalmente estratégica.

A reforma tributária exige decisões integradas entre fiscal, contábil, financeiro e gestão. A VSC pode apoiar sua empresa na leitura prática do RAD, na revisão de contratos e na organização de rotinas internas para IBS e CBS — com orientação técnica, clareza e responsabilidade no cuidado com seus dados e informações.

Crédito de IBS e CBS: impacto CLT x PJ na formação de preço

A reforma tributária sobre o consumo tende a mexer em um ponto sensível — e muito prático — para empresas de serviços: como contratar pessoas (CLT, prestadores PJ, terceirização) e como formar preço com margem e segurança.

A partir de 2027, empresas no regime regular de apuração do IBS e da CBS poderão se creditar de determinadas aquisições tributadas, conforme as regras aplicáveis e o período de transição. E aqui nasce uma diferença importante: folha de salários não é uma operação sujeita a IBS/CBS, então o custo com empregados não gera o mesmo tipo de crédito.

Já a contratação de prestadores pessoa jurídica pode, em certas situações, gerar crédito para a empresa tomadora — desde que haja enquadramento adequado, documentação fiscal correta e o cumprimento das condições legais, incluindo a extinção do débito na origem.

Na prática, duas empresas com o mesmo serviço, estrutura e nível de entrega podem chegar a custos diferentes conforme o modelo de contratação. Nem sempre isso é eficiência: muitas vezes é tratamento tributário e risco jurídico.


Como funcionará o crédito de IBS e CBS sobre serviços

A Lei Complementar nº 214/2025 instituiu o IBS e a CBS e estabeleceu regras para a apropriação de créditos no regime regular. Posteriormente, a Lei Complementar nº 227/2026 alterou dispositivos relacionados à reforma tributária. (planalto.gov.br)

De forma geral, o contribuinte do regime regular poderá se creditar quando:

  • adquirir bens ou serviços sujeitos ao IBS/CBS; e
  • o débito correspondente for extinto, conforme as condições previstas na legislação.

Em outras palavras: ao contratar um prestador PJ, pode existir crédito do IBS e da CBS destacado no documento fiscal — mas isso depende do conjunto de regras aplicáveis ao caso.

Um cuidado importante: crédito não é desconto automático. O tributo pode compor o preço da operação e, se atendidas as condições legais, pode ser aproveitado na não cumulatividade.

O que costuma precisar de atenção (na prática)

  • Enquadramento tributário da empresa contratante (tomadora);
  • Regime de apuração do prestador;
  • Emissão e regularidade do documento fiscal;
  • Destaque correto dos tributos;
  • Extinção do débito na origem;
  • Regras específicas do período de transição.

Por que a folha de salários não gera o mesmo crédito

A prestação de serviços por pessoa física em decorrência de relação de emprego, em regra, fica fora do campo de incidência do IBS e da CBS, conforme a lógica prevista na legislação complementar.

Como o salário não corresponde a uma operação tributada por IBS/CBS, não há débito desses tributos a ser extinto — e, por consequência, não há crédito a apropriar sobre o valor pago ao empregado.

Além do salário, a contratação CLT normalmente envolve custos que também não entram nessa lógica de crédito, como:

  • Contribuição previdenciária patronal, quando aplicável;
  • FGTS;
  • Férias + 1/3 constitucional;
  • 13º salário;
  • Adicionais legais e convencionais;
  • Encargos rescisórios;
  • Benefícios e demais custos relacionados ao vínculo.

Em empresas intensivas em mão de obra, esse ponto pode pesar diretamente na margem e na capacidade de competir — principalmente em contratos com preço mais “apertado”.


O crédito pode tornar a contratação de PJ mais competitiva (mas não é automático)

É natural que empresas façam a pergunta: “Se eu contrato PJ e aproveito crédito, minha operação fica mais competitiva?”

A resposta responsável é: pode ficar — mas depende. A vantagem não é uniforme, e o resultado muda conforme:

  • o regime tributário do prestador;
  • a forma de tributação da operação;
  • a documentação;
  • as condições de aproveitamento do crédito; e
  • a forma como o crédito será efetivamente utilizado no caixa (timing e compensações).

Atenção ao Simples Nacional

Muitos prestadores de serviços estão no Simples Nacional. Nesses casos, a extensão do crédito para a tomadora pode ser diferente do regime regular, podendo haver limitações conforme as regras do período e eventuais opções previstas na legislação.

Por isso, é arriscado concluir que “toda PJ gera crédito cheio”. Cada caso precisa de simulação e validação.


Exemplo prático de impacto na formação de preço (simulação didática)

Imagine, apenas para fins didáticos, uma empresa de tecnologia que contrata um serviço especializado por R$ 100 mil.

  • Suponha que o prestador seja PJ no regime regular.
  • E que a nota fiscal traga IBS e CBS destacados com uma alíquota conjunta hipotética de 28%.

Nesse cenário, o documento fiscal indicaria R$ 28 mil de IBS/CBS.

Se as condições legais forem atendidas e o débito for extinto na origem, a empresa contratante poderá apropriar crédito correspondente. Numa visão econômica simplificada, o custo “líquido” após o crédito tenderia a ser R$ 72 mil.

Agora compare com destinar os mesmos R$ 100 mil para remuneração e encargos de um empregado CLT. Como a folha não gera crédito de IBS/CBS, o custo permanece R$ 100 mil para essa comparação específica.

Dois cuidados essenciais:

  1. Isso não é economia garantida: depende de alíquota efetiva, regime do prestador, regras vigentes, documentação e utilização do crédito.
  2. IBS/CBS ainda exigem acompanhamento próximo de regulamentações, ajustes e interpretações — especialmente na transição.

O impacto tende a ser maior em negócios intensivos em pessoas

Quanto maior a participação da mão de obra no custo operacional, maior tende a ser a sensibilidade ao tema.

Exemplos típicos:

  • Tecnologia e desenvolvimento de software;
  • Consultorias;
  • Escritórios profissionais (contabilidade, advocacia etc.);
  • Engenharia;
  • Construção civil;
  • Limpeza e facilities;
  • Segurança patrimonial;
  • Logística;
  • Saúde;
  • Agências e empresas de comunicação.

Nessas atividades, créditos sobre aluguel, energia, softwares e outros insumos podem representar parcela menor do custo total. Assim, a ausência de crédito sobre folha pode afetar preço, margem e competitividade.


A vantagem tributária não elimina o risco de pejotização

Aqui está o ponto que separa decisão estratégica de “atalho perigoso”: crédito tributário não autoriza disfarçar vínculo de emprego.

A legislação trabalhista olha para a realidade da prestação. Elementos como subordinação, pessoalidade, habitualidade e onerosidade podem caracterizar vínculo, independentemente do contrato assinado.

O STF reconheceu a licitude da terceirização e da contratação de pessoas jurídicas, inclusive em atividades-fim, em julgamentos como a ADPF 324 e o Tema 725. Mas isso não é um “passe livre” para encobrir relações típicas de emprego: a contratação precisa ser real, com autonomia e coerência com uma prestação independente. (portal.stf.jus.br)

O Tema 1.389 (ARE 1.532.603) discute questões relevantes sobre a licitude dessas contratações em situações alegadamente fraudulentas, mantendo o tema no centro da segurança jurídica para empresas. (portal.stf.jus.br)


Terceirização também exige gestão de riscos (não só conta de imposto)

Mesmo quando a terceirização é válida, a análise não deve ficar só no “potencial crédito”.

É importante avaliar:

  • idoneidade e capacidade econômica do prestador;
  • regularidade fiscal e trabalhista;
  • qualidade contratual (escopo, entregas, responsabilidades);
  • execução real (como o serviço acontece no dia a dia).

Dependendo do caso, o tomador pode enfrentar responsabilidade subsidiária por obrigações não cumpridas pela contratada. Uma contratação guiada apenas por “menor preço” pode até reduzir custo no papel, mas aumentar risco e gerar passivos difíceis de administrar.

Boas práticas de governança com prestadores

  • Análise cadastral e financeira;
  • Contratos compatíveis com a realidade operacional;
  • Evidências de autonomia (quando aplicável);
  • Controle de documentos fiscais e trabalhistas;
  • Definição clara de escopo, entregas e níveis de serviço;
  • Monitoramento e revisão periódica da cadeia de fornecedores.

Como revisar a estrutura de contratação (com segurança e visão de margem)

Não existe “regra única” para toda empresa. O caminho mais seguro é tratar isso como um projeto de gestão: função por função, contrato por contrato.

Uma trilha prática costuma incluir:

  1. Mapear funções e contratos vigentes;
  2. Separar relações típicas de emprego de prestações autônomas genuínas;
  3. Calcular custo total de cada modelo (CLT x PJ x terceirização);
  4. Simular créditos possíveis de IBS/CBS conforme o cenário;
  5. Avaliar riscos trabalhistas e previdenciários;
  6. Revisar contratos, documentação e rotinas de controle;
  7. Ajustar precificação e política comercial (margem e competitividade);
  8. Criar indicadores e controles para acompanhar a transição da reforma.

Em negócios com sazonalidade, também pode ser necessário avaliar alternativas previstas na legislação trabalhista, sempre com base na operação real e no que é juridicamente sustentável.


Pontos de atenção (para decidir com clareza)

  • Crédito não é automático: depende de condições legais e operacionais.
  • Regime do prestador pesa no resultado: inclusive em prestadores do Simples Nacional.
  • Folha não gera crédito de IBS/CBS: salários e encargos não entram como aquisição tributada.
  • A vantagem precisa ser calculada caso a caso: alíquotas, documentação e uso do crédito mudam o cenário.
  • Pejotização não deve mascarar vínculo: a realidade da prestação prevalece.
  • Terceirização exige governança: risco não pode ficar “escondido” no contrato.
  • Preço precisa refletir o novo custo: especialmente em empresas intensivas em pessoas.
  • A reforma ainda pede acompanhamento: transição e regulamentações podem alterar simulações.

Conclusão

O tema “crédito de IBS e CBS sobre serviços” pode mudar — de forma concreta — a dinâmica de custo e a formação de preços em empresas intensivas em mão de obra.

A contratação de prestadores PJ pode apresentar vantagem tributária em comparação com a folha, mas essa vantagem depende do regime do fornecedor, da documentação, da extinção do débito e, principalmente, da validade jurídica da relação.

A decisão madura não é “CLT ou PJ”. É modelo de contratação + risco + margem + operação real, tratados de forma integrada.

Empresas que fizerem essa revisão com antecedência tendem a ganhar clareza para negociar contratos, projetar margens com mais precisão e evitar decisões baseadas apenas em uma comparação superficial.


podemos apoiar sua empresa nessa análise

A reforma tributária pede decisões bem amarradas: tributo, trabalhista, preço e operação precisam conversar entre si.

Na VSC Serviços, Auditoria e Perícias Contábeis, ajudamos sua empresa a mapear custos, simular cenários de IBS/CBS e estruturar contratações com mais segurança — com uma contabilidade clara, consultiva e próxima da realidade do seu negócio.

Se você quiser, podemos começar por um diagnóstico da sua estrutura atual e dos pontos de maior impacto na precificação.

MEI e auxílio-doença em 2026: requisitos e como solicitar

Quem empreende sabe: a rotina não para. Mas imprevistos acontecem — uma doença, um acidente, um período de recuperação — e, quando o trabalho depende de você, o impacto na renda e na operação do negócio pode ser imediato.

A legislação previdenciária prevê, para quem contribui ao INSS, o auxílio por incapacidade temporária (nome atual do antigo auxílio-doença). Em termos simples: é um benefício pago pelo INSS quando o segurado comprova que está temporariamente incapaz de exercer sua atividade habitual.

Ao longo deste artigo, você vai entender se o MEI tem direito, quais são os requisitos, quando há carência (e quando pode haver dispensa), como solicitar pelo Meu INSS, quais documentos ajudam de verdade e quais cuidados tomar para não transformar um momento difícil em um problema ainda maior.

Importante: este conteúdo é educativo e considera as regras conhecidas em 2026. O INSS pode atualizar procedimentos ao longo do ano, e o direito ao benefício sempre depende do histórico individual e da análise do caso concreto.

Em resumo: o MEI pode ter auxílio-doença em 2026?

Sim — desde que esteja em dia (ou dentro das regras) com o INSS e comprove a incapacidade temporária.

O ponto central não é “ter CNPJ”, e sim ter proteção previdenciária ativa e documentação médica consistente.

O que é o auxílio por incapacidade temporária (auxílio-doença) para MEI?

O auxílio por incapacidade temporária é um benefício do INSS para o segurado que, por doença ou acidente, fica impedido de trabalhar por um período.

No caso do MEI, a contribuição previdenciária é feita mensalmente pelo DAS-MEI. Esse recolhimento pode garantir acesso a benefícios previdenciários, desde que os requisitos sejam atendidos.

De modo geral, o INSS vai avaliar se você:

  • Está temporariamente incapaz para o seu trabalho;
  • Mantém a qualidade de segurado (está coberto pelo INSS);
  • Cumpriu a carência, quando exigida;
  • Apresentou documentos médicos adequados;
  • Passou por perícia ou análise documental, conforme o procedimento disponível no momento do pedido.

Atenção: o INSS não analisa apenas “a existência da doença”, mas principalmente se aquela condição te impede de exercer a sua atividade.

MEI tem direito a auxílio-doença?

Sim. O MEI, quando está protegido pelo INSS, pode ter direito ao auxílio por incapacidade temporária, observadas as regras aplicáveis ao benefício.

Um cuidado importante: manter o MEI ativo não significa, por si só, que o benefício será concedido. O que pesa é o seu histórico de contribuições, a qualidade de segurado e a comprovação da incapacidade.

Quais são os requisitos para solicitar o benefício?

Na prática, vale pensar em três pilares: cobertura do INSS, carência e prova médica.

1) Qualidade de segurado (estar coberto pelo INSS)

A qualidade de segurado é o que mantém seu direito de acesso aos benefícios do INSS. Em geral, ela está ligada ao pagamento das contribuições e pode ser mantida por um período mesmo se houver interrupção — mas isso varia conforme a situação.

Por isso, um passo que evita muitos problemas é conferir sua situação no Meu INSS e verificar se os recolhimentos foram reconhecidos corretamente.

2) Carência (em regra, 12 contribuições mensais)

Em regra, o auxílio por incapacidade temporária exige 12 contribuições mensais.

Dois pontos merecem atenção:

  • A carência costuma considerar contribuições anteriores ao início da incapacidade.
  • Pagamentos em atraso podem gerar dúvidas na análise e, dependendo do caso, podem não contar da forma esperada para carência.

Se houve perda da qualidade de segurado e retomada de pagamentos, pode existir necessidade de cumprir regras de “reentrada” antes de voltar a ter direito — o que depende do histórico e das normas aplicáveis na data do pedido.

3) Comprovação da incapacidade temporária (documentos médicos)

Aqui está um dos pontos mais importantes: você precisa apresentar documentação médica que ajude o INSS a entender, com clareza:

  • o que aconteceu;
  • qual é a limitação funcional;
  • por quanto tempo, aproximadamente, você precisa ficar afastado;
  • por que isso impede a sua atividade habitual.

Conforme o caso e a disponibilidade do INSS, a análise pode ocorrer por perícia presencial ou por análise documental iniciada pelo Meu INSS. Se os documentos não forem suficientes, o INSS pode exigir perícia presencial.

Quando a carência pode ser dispensada?

A legislação prevê hipóteses em que a carência de 12 contribuições pode ser dispensada — por exemplo, em casos como:

  • acidente de qualquer natureza;
  • doença profissional ou doença do trabalho;
  • algumas doenças graves previstas em lei e listas oficiais.

A Lei nº 8.213/1991 traz referências a condições que podem dispensar carência em determinadas situações, como tuberculose ativa, hanseníase, neoplasia maligna, cardiopatia grave, doença de Parkinson, entre outras.
Link de referência: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213compilado.htm

Dispensa de carência não é concessão automática. Ainda assim, o INSS avaliará a qualidade de segurado e a incapacidade para o trabalho, com base na documentação.

Como solicitar o auxílio-doença sendo MEI (passo a passo)

O pedido costuma ser feito pelo site ou aplicativo Meu INSS. Se você tiver dificuldade, a Central 135 pode orientar sobre canais e andamento.

Passo a passo (visão prática)

  1. Acesse o Meu INSS (site ou app) com sua conta Gov.br.
  2. Procure o serviço de benefício por incapacidade temporária (auxílio-doença).
  3. Confira e preencha os dados solicitados.
  4. Anexe os documentos médicos (atestado, laudos, relatórios e exames).
  5. Selecione o procedimento disponível (análise documental e/ou agendamento de perícia, conforme o sistema oferecer).
  6. Acompanhe o andamento e responda rapidamente se houver exigência (pedido de complementação de documentos).

Dica de organização: antes de enviar, confira se os documentos estão legíveis, completos e coerentes entre si. Isso reduz exigências e atrasos.

Quais documentos são necessários?

A lista pode variar, mas, em geral, ajuda ter:

  • Documento de identificação com foto;
  • CPF;
  • Comprovantes/registro das contribuições (quando necessário);
  • Atestado médico (legível);
  • Laudos e relatórios médicos (se houver);
  • Exames (imagem e/ou laboratoriais);
  • Receitas e comprovantes de tratamento;
  • Informação sobre atividade exercida (o que você faz no dia a dia) e por que não consegue exercê-la;
  • Indicação do tempo estimado de afastamento (quando o médico puder estimar).

O que um bom documento médico costuma deixar claro

  • data de emissão;
  • identificação e assinatura do profissional;
  • descrição do quadro e limitações;
  • período recomendado de afastamento;
  • elementos clínicos que sustentem a necessidade de afastamento (conforme o caso).

Quanto mais objetiva e consistente for essa prova, mais segurança você traz para a análise do INSS.

Como é calculado o valor do benefício?

O valor do auxílio por incapacidade temporária é calculado conforme o histórico de salários de contribuição e as regras previdenciárias aplicáveis.

Como o MEI contribui, em regra, sobre 5% do salário mínimo, é comum que a contribuição simplificada resulte em benefício próximo ao piso, mas isso não deve ser tratado como regra fixa nem como uma “porcentagem garantida” das últimas contribuições.

Se a sua preocupação é elevar a proteção previdenciária, vale avaliar com orientação especializada se existe possibilidade de complementação e quais impactos isso pode ter — lembrando que cada benefício possui regras próprias e o efeito pode variar caso a caso.

Exemplo prático (para facilitar)

Imagine uma pessoa que atua como designer e é MEI. Após um acidente, ela precisa se afastar por um período e não consegue executar os serviços contratados.

Se ela:

  • estiver com contribuições regulares (ou dentro das regras de manutenção da qualidade de segurado),
  • cumprir a carência (ou estiver em hipótese de dispensa),
  • e apresentar documentação médica consistente comprovando a incapacidade,

ela poderá solicitar o auxílio por incapacidade temporária ao INSS.

Ao mesmo tempo, é importante agir com coerência durante o afastamento: se houver continuidade habitual de atividade, emissão recorrente de documentos vinculados ao trabalho ou execução normal da rotina profissional, isso pode gerar questionamentos. Cada caso exige cuidado.

Pontos de atenção (o que mais gera indeferimento e dor de cabeça)

  • O benefício não é concedido apenas por existir um diagnóstico: é preciso comprovar incapacidade para a atividade habitual.
  • A carência é, em regra, 12 contribuições, com exceções legais.
  • Contribuições em atraso e inconsistências no CNIS podem impactar qualidade de segurado e carência.
  • O INSS pode pedir documentos complementares ou exigir perícia presencial, mesmo quando o pedido começa por análise documental.
  • Em caso de negativa, pode existir caminho de recurso administrativo no prazo indicado na decisão — e, dependendo da situação, pode ser necessário suporte jurídico.

Conclusão

O MEI pode ter direito ao auxílio por incapacidade temporária (auxílio-doença) em 2026 — desde que mantenha sua proteção previdenciária e comprove, com documentação adequada, que está temporariamente incapaz para o trabalho.

Na prática, duas atitudes fazem diferença antes mesmo de qualquer imprevisto acontecer:

  1. Manter o DAS-MEI em dia e acompanhar se as contribuições estão sendo reconhecidas.
  2. Organizar documentação (médica e cadastral) com clareza, para não depender da memória em um momento de urgência.

Quando falamos de INSS, detalhes importam — e uma boa orientação evita retrabalho, indeferimentos e decisões tomadas no susto.

Conte com a VSC

Está com dúvidas sobre a regularidade das contribuições do seu MEI, qualidade de segurado ou impactos do afastamento na rotina do seu negócio?

Converse com a VSC Serviços, Auditoria e Perícias Contábeis. Ajudamos você a organizar informações, conferir sua regularidade e tomar decisões com mais segurança — com clareza, proximidade e responsabilidade.

IBS e CBS no Simples Nacional: como decidir antes de 30/09/2026

A transição da Reforma Tributária traz uma mudança importante para as empresas optantes pelo Simples Nacional: a forma de recolhimento do IBS e da CBS no início do novo sistema.

Para o primeiro semestre de 2027, a empresa deverá decidir se:

  • mantém o recolhimento do IBS e da CBS dentro do Simples Nacional, ou
  • opta por recolher IBS e CBS no regime regular, fora da guia única, permanecendo no Simples para os demais tributos.

De acordo com informações divulgadas pela Fenacon, o prazo indicado para essa escolha é 30 de setembro de 2026. E há um ponto relevante: também foi informado que as empresas poderão rever essa decisão depois que for definida a alíquota de referência, o que adiciona uma camada extra de segurança — desde que a empresa se organize com antecedência e com base em simulações.

A seguir, explicamos o que está em jogo e como se preparar para tomar uma decisão mais clara e estratégica, sem improvisos.

O que muda para empresas do Simples Nacional

Com a implementação da Reforma Tributária, empresas do Simples terão duas alternativas principais para o recolhimento do IBS e da CBS no período de transição:

1) Manter IBS e CBS dentro do Simples Nacional

Aqui, a empresa segue recolhendo os tributos dentro da lógica do Simples, conforme as regras do regime.

Em geral, isso tende a ser percebido como “mais simples” do ponto de vista operacional, mas a decisão não deve ser tomada apenas por esse motivo.

2) Optar pelo regime regular do IBS e da CBS (fora da guia única)

Nesse cenário, a empresa continua no Simples Nacional para os demais tributos, mas recolhe IBS e CBS separadamente, no regime regular.

Na prática, isso pode alterar dinâmicas importantes, como formação de preço, efeito de créditos na cadeia e até negociações com clientes e fornecedores.

O ponto central é: não existe uma escolha automaticamente melhor para todas as empresas. A decisão depende do tipo de operação, do perfil de clientes e fornecedores e de como o negócio se posiciona no mercado.

Prazo para escolher: atenção ao calendário

Segundo as informações divulgadas pela Fenacon, a opção referente ao primeiro semestre de 2027 deverá ser feita até 30 de setembro de 2026.

A definição da alíquota de referência da CBS para 2027 ocorre depois. Também segundo a informação divulgada na coletiva, o Senado Federal teria até 15 de dezembro de 2026 para analisar os cálculos elaborados pelo TCU.

Como a alíquota ainda será definida, foi informado que a Receita Federal permitirá que a empresa reveja a escolha realizada após essa definição, conforme regras e procedimentos que ainda dependerão de regulamentação.

Por que a alíquota não deve ser o único critério

A alíquota importa, mas ela não conta toda a história.

Na prática, o impacto do IBS e da CBS no seu negócio depende de um conjunto de fatores — e alguns deles não aparecem numa comparação simples de percentual. Antes de decidir, vale avaliar:

  • perfil de clientes (pessoa física x pessoa jurídica);
  • perfil de fornecedores;
  • tipo de produto ou serviço;
  • como sua empresa forma preços e margem;
  • possibilidade de geração e aproveitamento de créditos;
  • impacto no fluxo de caixa;
  • reflexos em contratos e renegociações;
  • competitividade frente a empresas em outros regimes.

Uma empresa que vende principalmente para outras empresas pode precisar olhar com atenção para a questão dos créditos e para a forma como o cliente percebe o “custo total” da compra. Já quem vende majoritariamente para consumidor final tende a sentir mais diretamente os efeitos na precificação e na margem.

Créditos tributários: um ponto que pode afetar vendas (não só impostos)

Um dos temas mais sensíveis da Reforma Tributária é a lógica de créditos e os efeitos da tributação “por fora”.

Dependendo de como a empresa do Simples optar pelo recolhimento do IBS e da CBS, isso pode influenciar:

  • quanto crédito o seu cliente consegue aproveitar (especialmente se ele também for empresa);
  • o seu posicionamento comercial (preço final, negociação e comparação com concorrentes);
  • a necessidade de ajustes em contratos e políticas comerciais.

Para colocar a decisão “de pé no chão”, vale responder perguntas como:

  • Meus principais clientes aproveitam créditos tributários?
  • Essa escolha muda a forma como meu cliente compara preço entre fornecedores?
  • Meus fornecedores estarão mais no Simples ou no regime regular?
  • Minha operação está preparada para controles e rotinas adicionais, se necessários?
  • O impacto no preço será absorvido, repassado ou negociado?

Quando essas respostas ficam claras, a decisão deixa de ser “só tributária” e passa a ser uma decisão de gestão do negócio.

Como se preparar (sem depender de achismo)

A preparação começa com organização e dados confiáveis. Em vez de esperar a regulamentação “fechar tudo”, a empresa pode (e deve) estruturar o que já está ao alcance:

1) Organize a fotografia atual do seu negócio

Reúna informações como:

  • faturamento e projeções;
  • custos e despesas relevantes;
  • principais fornecedores;
  • principais clientes (com perfil PJ/PF);
  • margens e formação de preços;
  • contratos recorrentes e prazos de reajuste.

2) Faça simulações com os dois cenários

O caminho mais seguro é simular:

  1. IBS e CBS dentro do Simples Nacional;
  2. IBS e CBS no regime regular (fora da guia única).

O ideal é que essas simulações considerem não apenas o valor do tributo, mas também os efeitos financeiros e comerciais (preço, crédito, margem, caixa e negociação).

3) Acompanhe fontes oficiais e entidades envolvidas

A Fenacon divulgou que há uma força-tarefa envolvendo Receita Federal, Fenacon, CFC e Sebrae com ações de orientação e apoio durante a transição. Acompanhar atualizações ajuda a ajustar o planejamento conforme as regras forem detalhadas.

Exemplo prático (para visualizar o impacto)

Imagine uma empresa de tecnologia no Simples, com serviços recorrentes para outras empresas.

Se os clientes dela aproveitam créditos tributários, a decisão sobre recolher IBS e CBS dentro do Simples ou no regime regular pode influenciar a percepção de custo do cliente e até a competitividade da proposta comercial.

Por outro lado, se for um negócio que atende majoritariamente consumidores finais e opera com estrutura mais enxuta, outros fatores podem pesar mais — como margem, fluxo de caixa e preço final.

O exemplo mostra o essencial: a melhor escolha depende do modelo de negócio e da sua cadeia.

Pontos de atenção (checklist rápido)

  • Prazo indicado para a opção do 1º semestre de 2027: 30 de setembro de 2026.
  • A alíquota de referência da CBS para 2027 será definida posteriormente.
  • Foi informado que será possível rever a opção após a definição da alíquota, conforme regras oficiais.
  • Créditos tributários podem influenciar competitividade, negociação e contratos.
  • A transição exigirá atenção à convivência entre regras do sistema atual e do novo modelo.
  • Simulações personalizadas tendem a ser mais seguras do que decisões baseadas em conteúdo genérico.
  • Procedimentos e condições definitivas dependem de regulamentação e orientações oficiais.

Conclusão

A possibilidade de rever a opção do recolhimento do IBS e da CBS dá mais segurança — mas ela não substitui a necessidade de planejamento. O prazo de 30 de setembro de 2026 exige organização, dados bem levantados e simulações realistas.

Mais do que comparar alíquotas, o caminho mais inteligente é entender como cada alternativa impacta a empresa por inteiro: clientes, fornecedores, preço, crédito, margem e caixa.

A Reforma Tributária, para pequenas empresas, não deve ser tratada como “mais uma obrigação”. Ela é uma transição que pode exigir ajustes estratégicos — e quanto antes a empresa enxergar isso com clareza, melhor.

Quer entender, com números e cenários, qual caminho faz mais sentido para o seu negócio em 2027?

Fale com a VSC Serviços, Auditoria e Perícias Contábeis. Vamos organizar seus dados, simular alternativas e orientar a decisão com clareza, responsabilidade e visão de futuro — do jeito que a sua empresa precisa para atravessar essa transição com mais segurança.

Tributação de dividendos em 2026: retenção a partir de R$ 50 mil

Para muitos empresários e famílias empresárias, a distribuição de lucros e dividendos sempre foi um pilar do planejamento financeiro pessoal: remunera o sócio, sustenta o padrão de vida, organiza investimentos e viabiliza projetos de longo prazo.

Até 2025, em regra, lucros e dividendos distribuídos por empresas brasileiras a pessoas físicas não sofriam incidência de Imposto de Renda na pessoa física, desde que cumpridas as condições legais e contábeis aplicáveis.

A partir de janeiro de 2026, esse cenário muda com a Lei nº 15.270/2025, que trouxe dois pontos de atenção importantes:

  • Retenção de 10% na fonte quando uma mesma empresa pagar/creditar/empregar/entregar mais de R$ 50 mil no mês para a mesma pessoa física;
  • Tributação mínima anual (altas rendas) para pessoas físicas com rendimentos acima de R$ 600 mil no ano.

A leitura correta dessas regras — e o impacto real para cada sócio — depende de análise integrada: contábil, tributária, societária e patrimonial.

O que mudou na tributação de lucros e dividendos?

A nova regra estabelece que, a partir de janeiro de 2026, lucros e dividendos pagos por uma mesma pessoa jurídica a uma mesma pessoa física residente no Brasil estarão sujeitos à retenção na fonte de 10% quando o valor ultrapassar R$ 50 mil no mesmo mês.

Um ponto essencial: se o limite mensal for ultrapassado, a retenção incide sobre o valor total distribuído no mês — e não apenas sobre o excedente.
Exemplo: se a empresa distribuir R$ 60 mil em determinado mês, a retenção será calculada sobre R$ 60 mil, e não somente sobre os R$ 10 mil excedentes. planalto.gov.br

Também é necessário observar que vários pagamentos no mesmo mês podem ser somados para a verificação do limite. Ou seja: não se analisa apenas cada transferência isoladamente, mas o total pago/creditado/empregado/entregue pela mesma empresa à mesma pessoa física no mês. planalto.gov.br

Outro ponto de atenção: a retenção pode alcançar empresas do Simples Nacional, conforme indicado em materiais oficiais, a depender do enquadramento e dos requisitos legais. gov.br

Como funciona o limite de R$ 50 mil por mês?

O limite mensal de R$ 50 mil é analisado considerando três elementos:

  • A empresa que realizou a distribuição;
  • A pessoa física que recebeu os valores;
  • O total pago/creditado/empregado/entregue no mesmo mês.

Na prática, isso significa que:

  • Recebimentos de empresas diferentes tendem a ser analisados separadamente para fins de retenção mensal;
  • Mas, no fechamento anual, valores de diferentes fontes podem impactar a análise da tributação mínima, caso a soma dos rendimentos ultrapasse R$ 600 mil.

E atenção: a regra não trata apenas de “depósito”. Dependendo da situação, o conceito legal pode abranger também crédito, emprego ou entrega dos lucros — o que exige cuidado técnico antes de usar alternativas como capitalizações e outras formas de disponibilização. gov.br

O que é a tributação mínima para altas rendas?

A partir do ano-calendário de 2026 (com reflexos na declaração entregue em 2027), a pessoa física cuja soma de rendimentos anuais ultrapassar R$ 600 mil poderá estar sujeita ao chamado Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas Mínimo (IRPFM).

O cálculo considera a totalidade dos rendimentos abrangidos pela legislação. Podem entrar nessa análise, conforme o caso concreto: salários, aluguéis, lucros, dividendos, ganhos de capital e outras receitas, seguindo as regras específicas aplicáveis.

A retenção mensal de 10% feita pela empresa tende a funcionar como antecipação e pode ser considerada no ajuste anual. Dependendo da composição dos rendimentos, da tributação já suportada e das regras aplicáveis, pode haver imposto complementar, restituição ou ausência de valor adicional a pagar. gov.br

Por isso, receber menos de R$ 50 mil em um mês não significa, automaticamente, que não haverá impacto no ano. Limite mensal e limite anual são análises diferentes.

Por que o planejamento precisa começar antes da distribuição?

Porque a mudança pode afetar diretamente o fluxo de caixa pessoal do sócio.

Quem organizou despesas familiares, investimentos e compromissos assumindo o recebimento integral dos lucros precisa revisar:

  • o impacto da retenção mensal;
  • e a possibilidade de tributação mínima anual, dependendo do total de rendimentos.

Além disso, um planejamento bem conduzido ajuda a evitar dois problemas comuns:

  • Pagar tributos além do necessário por falta de organização das retiradas e da documentação contábil;
  • Adotar estruturas inadequadas, baseadas em soluções genéricas ou “atalhos” que não se sustentam na prática.

Não é recomendável alterar a forma de distribuição de lucros, transferir patrimônio ou criar empresas apenas para tentar “ficar abaixo” de um limite. Estruturas sem propósito econômico, sem documentação adequada ou sem coerência com a realidade podem ser questionadas pelas autoridades fiscais.

Quais caminhos lícitos podem ser avaliados?

A legislação não impede o planejamento tributário, societário e patrimonial. O ponto central é: não existe solução única.

O caminho adequado depende de fatores como:

  • Valor e frequência das distribuições;
  • Regime tributário e atividade da empresa;
  • Existência de outros sócios;
  • Patrimônio pessoal e empresarial;
  • Presença de herdeiros;
  • Regime de bens do casamento;
  • Nível de proteção patrimonial desejado;
  • Necessidade de reinvestir parte dos lucros;
  • Possibilidade de venda ou sucessão do negócio;
  • Perfil de risco e objetivos de longo prazo.

Entre as alternativas que podem ser analisadas estão reorganizações societárias, estruturação sucessória, retenção de lucros para reinvestimento e a combinação de formas legais de remuneração. Cada opção tem requisitos, custos, efeitos tributários e riscos próprios.

Holding familiar e planejamento sucessório

Em determinadas situações, uma holding familiar pode ser utilizada para organizar participações societárias, facilitar a sucessão e estabelecer regras de administração do patrimônio.

A estrutura pode envolver a transferência de participações para uma empresa familiar e, conforme o planejamento jurídico, a antecipação de patrimônio aos herdeiros com reserva de usufruto — mantendo direitos econômicos ou de administração, conforme os instrumentos adotados.

O cuidado aqui é indispensável: uma holding não deve ser criada apenas para dividir artificialmente dividendos ou evitar retenção. A estrutura precisa ter propósito legítimo, documentação consistente e coerência com os objetivos patrimoniais e familiares.

Reorganização da remuneração e retenção de lucros

Outra possibilidade é revisar a forma como o sócio é remunerado, considerando instrumentos previstos na legislação, como:

  • pró-labore;
  • juros sobre o capital próprio (quando aplicáveis);
  • previdência privada, conforme o perfil;
  • e a retenção de parte dos lucros na empresa para reinvestimento.

A retenção de lucros pode fazer sentido quando a empresa tem projetos de expansão, necessidade de capital de giro ou planos de aquisição de equipamentos e tecnologia. Nesse caso, o dinheiro permanece no negócio para financiar atividades reais — e não apenas para adiar artificialmente uma distribuição.

Já os juros sobre o capital próprio possuem regras específicas, requisitos contábeis e efeitos tributários próprios. A viabilidade deve ser calculada de forma individualizada, considerando o tipo de empresa e a legislação vigente.

Exemplo prático

Considere um sócio que recebe R$ 150 mil por mês em lucros de uma única empresa.

Se esse valor for pago integralmente em um mês de 2026, a empresa deverá avaliar a retenção de 10% sobre o total de R$ 150 mil, conforme a regra aplicável. Isso representa R$ 15 mil de retenção naquele pagamento, sem considerar outros aspectos que podem influenciar a apuração anual.

A partir desse cenário, algumas frentes podem ser estudadas:

  • Manter parte dos recursos na empresa para financiar investimentos reais;
  • Avaliar formas legais de remuneração compatíveis com a situação da empresa;
  • Estruturar planejamento sucessório, se houver herdeiros e esse for um objetivo da família;
  • Reorganizar o fluxo de distribuição ao longo do tempo, quando houver justificativa econômica e sem artificialidade;
  • Revisar o impacto da soma de todos os rendimentos anuais do sócio.

O exemplo mostra por que a análise precisa ser integrada: a decisão não deve considerar apenas a alíquota mensal, mas também os efeitos contábeis, tributários, societários e patrimoniais.

Pontos de atenção

  • A retenção de 10% pode incidir sobre o valor total da distribuição mensal quando o limite de R$ 50 mil for ultrapassado.
  • O limite mensal considera os pagamentos feitos pela mesma empresa à mesma pessoa física.
  • O limite anual de R$ 600 mil considera a soma dos rendimentos da pessoa física, conforme as regras da tributação mínima.
  • O imposto retido durante o ano deve ser considerado na apuração anual.
  • A empresa precisa manter escrituração e documentação que comprovem a origem e a regularidade dos lucros distribuídos.
  • A criação de uma holding deve estar relacionada a objetivos patrimoniais, sucessórios ou empresariais legítimos.
  • Dividir artificialmente pagamentos ou transferir patrimônio sem propósito econômico pode aumentar o risco de questionamento fiscal.
  • Juros sobre capital próprio, pró-labore, previdência privada e retenção de lucros têm regras diferentes e não devem ser tratados como soluções equivalentes.
  • Lucros apurados até 2025 e distribuídos conforme as condições e aprovações previstas na legislação exigem análise documental específica.
  • A aplicação das regras pode variar conforme o regime tributário, o tipo de empresa, a residência fiscal do beneficiário e a natureza dos rendimentos.

Conclusão

A tributação de dividendos em 2026 exige mais atenção de empresários que retiram valores elevados de suas empresas. A Lei nº 15.270/2025 trouxe uma retenção mensal de 10% para distribuições acima de R$ 50 mil feitas pela mesma empresa à mesma pessoa física, além de prever uma possível tributação mínima anual para rendimentos acima de R$ 600 mil.

Isso não significa “fim do planejamento”. Significa que decisões sobre distribuição de lucros, remuneração, reinvestimento, sucessão e proteção patrimonial precisam ser tomadas com antecedência e de forma coordenada.

Mais importante do que buscar uma fórmula pronta é entender a realidade da empresa, da família e do patrimônio. Um planejamento bem estruturado ajuda a reduzir riscos, melhorar a organização financeira e orientar escolhas dentro dos limites legais.

Se você recebe valores relevantes em lucros e dividendos, este é um bom momento para revisar seu planejamento com calma e critério.

A VSC pode apoiar na análise contábil e tributária da sua empresa, na organização das informações e na avaliação de alternativas que façam sentido para o seu contexto — com clareza, segurança e confidencialidade. Para temas societários e patrimoniais, atuamos de forma integrada, em conjunto com os profissionais jurídicos responsáveis pelo seu caso.

Receita bruta no Simples Nacional: mudanças e cuidados essenciais

A receita bruta no Simples Nacional é mais do que um número para preencher na apuração: ela define faixa de tributação, influencia o valor dos tributos e pode impactar a permanência da empresa no regime.

Com as mudanças trazidas pela reforma tributária e com o detalhamento feito pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), algumas entradas que antes passavam despercebidas ganharam regras mais claras. Na prática, isso aumenta a necessidade de uma revisão preventiva: entender o que entra (e o que não entra) no cálculo ajuda a reduzir risco de autuações, pagamentos indevidos e questionamentos que podem levar até à exclusão do regime.

Importante: este conteúdo é educativo e não substitui uma análise contábil e tributária do seu caso concreto, que depende da atividade, contratos e documentação da empresa.

O que mudou no conceito de receita bruta do Simples Nacional?

A Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025, alterou o § 1º do art. 3º da Lei Complementar nº 123/2006, ampliando e deixando mais explícita a definição de receita bruta para fins do Simples Nacional.

Pela regra atual, a receita bruta compreende:

  • o produto da venda de bens e serviços em operações de conta própria;
  • o preço dos serviços prestados;
  • o resultado das operações em conta alheia;
  • as demais receitas relacionadas à atividade ou ao objeto principal da empresa.

Continuam excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. A redação reforça que, além da “nota de venda” ou “nota de serviço”, é preciso olhar para a natureza de todas as receitas que entram no caixa e para o vínculo delas com a operação principal da empresa.
Referência: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm

Quais valores podem compor a receita bruta?

As alterações regulamentares do CGSN também detalharam receitas que devem ser avaliadas com cuidado na composição da receita bruta. Entre elas:

Financiamento embutido nas vendas a prazo

Em vendas parceladas, o custo do financiamento pode compor a receita bruta quando estiver:

  • incluído no valor do bem/serviço; ou
  • destacado no documento fiscal.

Aqui, vale observar com atenção como a venda a prazo é precificada e documentada — especialmente quando há encargos financeiros incorporados ao preço.

Gorjetas

As gorjetas podem integrar a receita bruta, com uma distinção essencial:

  • quando a gorjeta é integralmente repassada aos trabalhadores, ela não compõe a receita bruta;
  • quando não é integralmente destinada aos profissionais, pode ser considerada no faturamento da empresa.

Esse ponto costuma gerar dúvida em estabelecimentos com cobrança de serviço, taxas e repasses.

Royalties, aluguéis e cessão de direitos

Receitas como royalties, aluguéis e cessão do direito de uso ou gozo podem ser incluídas quando estiverem relacionadas à atividade ou ao objeto principal da empresa.

Isso pode impactar negócios que monetizam, por exemplo:

  • marca;
  • software e licenciamento;
  • plataformas e tecnologia;
  • propriedade intelectual;
  • locação/cessão vinculada à operação principal.

Verbas de patrocínio

As verbas de patrocínio foram expressamente tratadas como receitas que podem compor a receita bruta, quando relacionadas à atividade.

Aqui, é recomendável avaliar:

  • o que o contrato define (contrapartidas, entrega, publicidade, etc.);
  • como a operação é registrada na contabilidade; e
  • como (e se) há documentação fiscal vinculada.

As Resoluções CGSN nº 183 (outubro de 2025) e nº 190 (agosto de 2026) alteraram a Resolução CGSN nº 140/2018, que regulamenta o Simples Nacional.
Referência: https://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/consulta.action?termoBusca=impostos+nacional+simples

Quais valores não compõem a receita bruta?

A regulamentação também traz hipóteses que, em regra, não integram a receita bruta para fins do Simples Nacional, como:

  • venda de bens do ativo imobilizado;
  • juros de mora, multas e outros encargos por atraso;
  • remessa de mercadorias em bonificação, doação ou brinde (incondicional e sem contraprestação);
  • remessa de amostra grátis;
  • valores recebidos como multa ou indenização por rescisão contratual (quando não correspondem à parte executada do contrato);
  • valores repassados ao profissional-parceiro (salão-parceiro), quando atendidos os requisitos legais;
  • rendimentos ou ganhos líquidos de aplicações de renda fixa ou variável;
  • valores de IBS e CBS apurados e recolhidos no regime regular, conforme condições previstas na legislação;
  • gorjetas integralmente repassadas aos trabalhadores.

Atenção: a exclusão não deve ser aplicada no automático. O mais seguro é confirmar se a operação realmente se enquadra na hipótese e se há documentação suficiente para sustentar a classificação, caso haja fiscalização.

Como funciona o reconhecimento da receita?

Outro ponto relevante é quando a receita deve ser reconhecida para fins de apuração.

Em determinadas situações, a regulamentação considera eventos ligados à emissão do documento fiscal que formaliza a operação ou a prestação do serviço — incluindo documentos de operações para entrega futura e documentos fiscais que alterem, complementem ou modifiquem valores já registrados.

Isso pode afetar empresas que trabalham com:

  • entrega futura de mercadorias;
  • contratos recorrentes;
  • prestação de serviços por etapas;
  • notas fiscais complementares;
  • ajustes de preço após emissão do documento fiscal;
  • cancelamentos e substituições.

Por isso, é importante alinhar comercial, financeiro, fiscal e contábil. Em muitos casos, olhar apenas o que “entrou no banco” não é suficiente para garantir que o reconhecimento do faturamento está correto.

A receita de empresas relacionadas deve ser analisada em conjunto?

Sim. A legislação do Simples Nacional determina que sejam consideradas:

  • todas as atividades econômicas exercidas;
  • as receitas brutas auferidas; e
  • os débitos tributários exigíveis,

mesmo quando existam inscrições cadastrais distintas ou quando a atividade seja exercida na condição de contribuinte individual.

O objetivo é evitar a fragmentação artificial de receitas e atividades para permanecer dentro dos limites do regime. Na prática, o recomendado é avaliar a estrutura de forma abrangente, considerando:

  • outras empresas dos mesmos sócios;
  • atividades em diferentes inscrições;
  • receitas recebidas por pessoas físicas relacionadas ao negócio;
  • contratos firmados por empresas do mesmo grupo;
  • participações societárias e relações de controle;
  • transferências de operações entre empresas relacionadas.

Exemplo prático

Imagine uma empresa de tecnologia que desenvolve uma plataforma digital e recebe:

  • mensalidades dos usuários;
  • licenciamento de software;
  • royalties pela utilização da tecnologia;
  • serviços de implantação;
  • patrocínio de eventos relacionados à plataforma;
  • rendimentos de aplicações financeiras.

Nesse cenário, mensalidades, implantação, licenciamento, royalties e patrocínios podem estar relacionados à atividade principal e, portanto, precisam ser avaliados na composição da receita bruta.

Já os rendimentos ou ganhos líquidos de aplicações financeiras podem seguir tratamento diferente, conforme a regulamentação aplicável.

O ponto central é: a classificação deve considerar origem, natureza e vínculo com o objeto da empresa — e isso precisa estar bem refletido em contratos, notas e registros contábeis.

Pontos de atenção (checklist prático)

Antes de calcular o faturamento mensal ou a receita acumulada, vale revisar:

  • plano de contas e classificação contábil das receitas;
  • todas as entradas relacionadas à atividade principal;
  • contratos de patrocínio, licenciamento, aluguel e cessão de direitos;
  • tratamento das gorjetas e dos valores repassados aos trabalhadores;
  • vendas parceladas e custos de financiamento embutidos no preço;
  • emissão de documentos fiscais em operações para entrega futura;
  • notas fiscais complementares, canceladas ou substituídas;
  • receitas e atividades exercidas por empresas relacionadas;
  • receita acumulada (enquadramento e faixa de tributação);
  • documentação que comprove a natureza das receitas excluídas.

Uma classificação incorreta pode gerar recolhimento em valor inferior ou superior ao devido — e, dependendo do caso, provocar retificações, cobranças complementares, autuações e questionamentos sobre a permanência no Simples.

Conclusão

Com a reforma tributária, ficou ainda mais importante acompanhar a receita bruta no Simples Nacional com critério. O conceito passou a abranger, de forma expressa, outras receitas relacionadas à atividade ou ao objeto principal da empresa — e isso exige atenção especial de negócios que recebem valores além da venda tradicional de produtos e serviços.

Uma revisão preventiva da gestão financeira, dos contratos e dos documentos fiscais traz mais segurança para decisões sobre enquadramento, apuração e planejamento, evitando surpresas e reduzindo riscos desnecessários.

Podemos revisar isso com você

Sua empresa já revisou quais receitas entram (e quais não entram) no cálculo do Simples Nacional?

A VSC Serviços, Auditoria e Perícias Contábeis pode ajudar a analisar a classificação das receitas, os impactos no faturamento e os cuidados necessários para manter o enquadramento de forma segura — com orientação clara, visão estratégica e sigilo no tratamento das informações. Fale com a nossa equipe e vamos avaliar seu cenário com mais clareza.

Simples Nacional: quando apurar IBS/CBS fora do DAS cria valor

A reforma tributária do consumo traz uma decisão que, para muitas empresas do Simples Nacional, será menos “contábil” e mais estratégica: manter IBS e CBS no recolhimento unificado (DAS) ou optar pela apuração no regime regular, separando esses tributos do Simples e mantendo os demais no DAS.

Na VSC, a gente costuma olhar esse tipo de escolha com uma lente bem prática: não basta parecer mais barato. O que realmente importa é o efeito na operação, no caixa e — no B2B — na relação comercial com clientes que apuram IBS e CBS no regime regular.

A pergunta que ajuda a organizar o raciocínio é:

o crédito que você pode gerar para o seu cliente (e o valor que isso cria na negociação) compensa o custo e a complexidade adicionais para sua empresa?

O que muda para empresas do Simples Nacional

A Lei Complementar nº 214/2025 prevê a possibilidade de empresas optantes pelo Simples Nacional apurar IBS e CBS pelo regime regular, fora do DAS, enquanto os demais tributos seguem no regime simplificado.

  • IBS e CBS deixam de ser recolhidos dentro do DAS;
  • a empresa passa a seguir regras gerais de apuração desses tributos;
  • a escolha abre (ou amplia) o potencial de crédito para clientes no regime regular, conforme as regras de creditamento aplicáveis.

Importante: as regras operacionais, prazos e detalhes de implementação dependem de regulamentação e podem sofrer ajustes. Antes de decidir, confirme sempre a norma vigente no momento da opção.

Por que o crédito do cliente entra no centro da decisão (no B2B)

Em operações B2B, o preço raramente é “só preço”. Empresas no regime regular tendem a avaliar fornecedores considerando também:

  • possibilidade de aproveitar créditos;
  • custo tributário efetivo da contratação;
  • impacto do fornecedor na cadeia de conformidade fiscal.

Quando o fornecedor do Simples fica com IBS e CBS dentro do DAS, o cliente pode ter um creditamento limitado ao que a legislação permite nessas operações. Quando o fornecedor opta pelo regime regular, o adquirente pode, em tese, seguir o creditamento pelas regras gerais — sempre respeitando requisitos, vedações e documentação exigida.

Na prática, isso pode influenciar negociações com:

  • empresas de tecnologia e grupos com forte governança fiscal;
  • indústrias e distribuidoras;
  • clientes que comparam fornecedores pelo “custo total” (preço + efeito fiscal);
  • empresas que possuem processos estruturados de compras e compliance.

A escolha não é “Simples vs. Regular”. É uma conta de valor (e de captura)

Para tomar uma decisão com segurança, vale separar dois blocos:

  1. Custo adicional do fornecedor
    O que muda para a sua empresa ao apurar IBS e CBS no regime regular: carga, obrigações acessórias, controles, possíveis efeitos no caixa, e também a possibilidade de créditos próprios (conforme o que a empresa compra e como compra).
  2. Crédito adicional gerado para o cliente
    O quanto o seu cliente passa a conseguir aproveitar (em comparação ao cenário em que você mantém IBS e CBS dentro do DAS).

Um ponto essencial: o crédito é do cliente. O benefício para a sua empresa só existe se você conseguir capturar parte do valor criado, por exemplo:

  • sustentando preço (ou evitando concessões) em negociações;
  • retendo clientes que poderiam migrar para um fornecedor que “gera mais crédito”;
  • ganhando contratos em que o creditamento é critério relevante;
  • reduzindo desvantagem competitiva ao longo da transição da reforma.

Uma forma simples de organizar a análise é:

Valor econômico incremental = (crédito adicional do cliente) – (custo adicional líquido do fornecedor)

Mesmo quando essa conta é positiva, ainda existe a pergunta seguinte: qual é sua taxa de captura? Ou seja, qual parte desse valor vira margem, retenção, crescimento ou vantagem comercial real.

Exemplo prático (para ilustrar a lógica, não para generalizar)

Imagine uma software house no Simples Nacional, com faturamento anual na faixa de R$ 420 mil e perfil predominantemente B2B, atendendo majoritariamente clientes no regime regular de IBS/CBS.

No cenário-base do estudo citado no texto original, a opção pelo regime regular poderia, em 2027, resultar em:

  • custo adicional estimado para o fornecedor: R$ 1.173,14/mês
  • crédito adicional estimado para os clientes: R$ 1.591,05/mês
  • saldo econômico incremental na relação: R$ 417,91/mês

O ponto de atenção aqui é saudável: saldo econômico incremental não é lucro automático. Ele é “espaço” de valor na relação comercial, que pode (ou não) ser capturado.

Em empresas de tecnologia, a captura às vezes não aparece em reajuste direto de preço — ela aparece na prática como retenção, redução de churn e aumento de previsibilidade de receita, especialmente quando o cliente tem maturidade para enxergar o efeito fiscal na contratação.

Split payment e impacto no fluxo de caixa: não deixe isso fora da simulação

Além da carga e da conformidade, é importante considerar o split payment e outros mecanismos operacionais que podem influenciar o fluxo financeiro das operações.

Como a implementação depende de regulamentação e cronograma, não é prudente tratar qualquer impacto como certeza imediata. Ainda assim, vale simular cenários e testar sensibilidade em:

  • capital de giro;
  • prazo médio de recebimento;
  • conciliação entre notas fiscais e recebimentos;
  • necessidade de caixa para cumprir recolhimentos;
  • custo financeiro de eventuais antecipações.

Uma opção “boa no papel” pode gerar pressão real se a empresa não ajustar controles e rotinas financeiras.

Checklist: perguntas que realmente orientam a decisão

Antes de optar por IBS e CBS fora do DAS, recomendamos responder com dados reais (não com sensação):

  • Qual percentual da receita vem de clientes no regime regular?
  • Seus clientes valorizam e conseguem operacionalizar o crédito tributário?
  • Sua margem absorve custo adicional, caso não haja repasse imediato?
  • Sua empresa tem créditos próprios relevantes (pela estrutura de custos e fornecedores)?
  • O valor criado para o cliente pode virar preço, retenção ou novos contratos?
  • Qual seria o impacto no caixa em cenários conservador, base e otimista?
  • Sua operação está pronta para obrigações acessórias e controles do regime regular?
  • Há risco de acúmulo de créditos? Ressarcimento é importante no seu planejamento?
  • Existe algum efeito colateral regulatório (como restrições de retorno ao regime unificado em certas hipóteses)?

Regra de ouro: decisão tributária boa é aquela que cabe na operação, protege o caixa e melhora a previsibilidade — sem aumentar riscos desnecessários.

Conclusão

Para empresas B2B do Simples Nacional, a decisão sobre IBS e CBS tende a ser menos sobre “qual alíquota é menor” e mais sobre competitividade, crédito na cadeia e capacidade de capturar valor.

A apuração pelo regime regular pode fazer sentido quando:

  • o crédito adicional para o cliente é relevante;
  • o custo adicional líquido do fornecedor é controlável;
  • a empresa consegue transformar esse diferencial em melhor posição comercial (preço, retenção, novos contratos);
  • o fluxo de caixa e a conformidade conseguem acompanhar a mudança.

Já manter IBS e CBS no DAS pode seguir como a melhor escolha quando:

  • a base é majoritariamente B2C;
  • os clientes não valorizam crédito (ou não conseguem aproveitá-lo);
  • o custo e a complexidade do regime regular não se pagam na prática.

Em outras palavras: o Direito abre a possibilidade — a economia do seu negócio decide o caminho.

CTA — vamos construir cenários com os seus números?

Se sua empresa é do Simples e atua no B2B, a pergunta não é só “quanto muda a carga”. A pergunta é: quanto valor isso cria na sua carteira e quanto desse valor você consegue capturar com segurança?

A VSC pode apoiar você na organização dos dados (receita, perfil de clientes, custos, créditos e caixa) e na construção de cenários para uma decisão consciente, responsável e alinhada à realidade do seu negócio.

Conteúdo educativo. Não substitui análise contábil, tributária ou jurídica do caso concreto. Cada empresa tem particularidades que precisam ser avaliadas com documentação e números reais.